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O marketing no ponto de venda, marketing at-retail, é intrinsecamente uma boa ideia - por definição, nenhum outro meio pode competir com a vantagem de estar “lá”, no lugar certo, no momento derradeiro, em que se toma a decisão de compra e se faz a opção entre concorrentes. No entanto, o marketing at-retail compete com uma panóplia de outros estímulos que dificultam a comunicação com o shopper. Nesse contexto, o digital signage dentro de loja demonstrou já a sua eficácia. No passado porém, a novidade tecnológica e o “do because you can”, sobrepôs-se à necessidade e à longa experiência e conhecimento do marketing, com consequências desencorajadoras para o sector.

As lições foram aprendidas e, nos projectos melhor sucedidos, marketeers, criativos e engenheiros cooperam fazendo com que os maiores retalhistas, anunciantes e grupos de comunicação por todo o mundo canalizem uma fatia crescente do orçamento e do investimento para este tipo de meio, que apresenta excelentes perspectivas de continuado crescimento. Interactividade, dinamismo e métricas de audiências comprovadas e reconhecidas por referências como a Nielsen, elevam o reconhecimento da relevância do marketing at-reail para patamares nunca antes atingidos.

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Used with the kind permission  of
Prof. Beauchamp, University of Texas.
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Normalmente, uma rede digital signage (DS; lê-se como em sign) é composta por um conjunto de meios digitais, com diferentes tamanhos e posicionamentos, geridos central e remotamente que oferecem à sua audiência conteúdos com grande dinamismo de informação, entretenimento e alguma publicidade. Projectos mais recentes, multi-modais, acrescentam conteúdos reactivos, interactividade táctil, senhas de atendimento digitais, som direccional e usam até o olfacto para contactar mais eficazmente com o shopper.

O sucesso do DS na captação da atenção do shopper está no movimento. No córtex visual da grande maioria dos animais, neurónios sensíveis apenas ao movimento permitem a predadores encontrar as presas, efeito muito bem explorado na aventura Jurassic Park, de Spielberg.

 

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Nós, humanos, também temos mecanismos de atenção que respondem apenas ao movimento. Perante um cenário imóvel, os nossos olhos imediata e involuntariamente apontarão na direcção do mais pequeno movimento. Por isso, a introdução de vídeo na mistura de meios at-retail tem tanto impacto. O movimento, per si, sobrepõe-se a um mar de outros estímulos.

O DS consegue portanto dominar na captação da atenção, mas tal sucesso traz consigo uma grande responsabilidade. Conseguir a atenção do shopper é apenas a primeira vitória. Depois, há que retribuir a atenção com uma proposta de valor interessante, seja com uma promoção especial, notícias do dia, um vídeo humorístico ou informação de filas de atendimento. Mas atenção: no ambiente in store, seja qual for, temos apenas cerca de 7 segundos dessa preciosa atenção.

Foram precisos alguns anos de experiências para que os promotores e produtores de conteúdos de DS entendessem a necessidade de oferecer valor acrescentado ao Cliente e produzissem conteúdos que funcionassem bem num tão limitado “attention-span”. Demasiadas vezes se tentou usar o spot da televisão para a rede DS. O reaproveitamento “cego” e a poupança de custos são demasiado tentadoras.

Na sua génese, na maioria dos casos, estiveram sobretudo empresas tecnológicas e detentores de audiências, uns e os outros compreendendo mal o marketing e a complexidade do comportamento humano dentro de loja. Este facto constituiu-se entrave inicial à evolução do Digital Signage O amadurecimento da indústria DS trouxe o shopper, o marketing e o know-how dos meios convencionais para o centro da problemática com benefícios claros. A tecnologia assume enfim o seu papel de ferramenta.

A relação tecnologia/marketing é absolutamente bidireccional. De um tempo em que o marketing at-retail tinha como um dos principais handicaps não oferecer comprovação da sua relevância no marketing mix de uma campanha, passamos agora ao tempo em que a tecnologia oferece ao marketing at-retail a capacidade de medir audiências reais - literalmente contando quantas pessoas olham para um ecrã, poster ou mupi para esse efeito, e durante quanto tempo o fazem. A integração de meios, tecnologia e estratégias comerciais, permitem atingir resultados verdadeiramente magníficos. Por exemplo, num piloto DS em curso, a relação de um desconto com meios DS dentro de loja permitiu um aumento de 427% no sell-out durante a campanha e  um aumento de vendas sustentado nas semanas pós-campanha de 55%, registado apenas na loja em que a experiência foi levada a cabo!

Como ferramenta de marketing, para além de chegar mais eficazmente ao shopper, o DS oferece inúmeras outras vantagens. Uma campanha pode ser iniciada a nível nacional, ou mundial em poucos minutos, bem como pode ser suspensa ou activada em intervalos (por exemplo, à hora de ponta, e apenas do próprio local em causa!).
Complementos interactivos ao DS passivo, com ecrãs tácteis ou sistemas com câmaras, permitem obter feedback imediato e criar uma relação com o shopper sem precedentes.

Torna-se também possível pensar em novos paradigmas, como o PROM (marketing pró-activo), que reage em tempo-real às características da audiência assistente (género, número, grupo etário e etnicidade, por exemplo), o RTA (Real-Time Advertising), em que os conteúdos, a sua frequência e meios usados dependem em tempo real de excedentes ou rupturas de stock ou do sell-out do produto naquele momento exacto e naquela loja. Com a tecnologia correcta, marketeers e criativos não deverão nunca sentir limites!

 

Sílvio Macedo
CEO da xarevision*

*A xarevision actua no sector DS@retail e desenvolve desde 2007 um projecto piloto com a Sonae Distribuição.

 

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